Eram talvez as manhãs que me
custavam mais... Acordava com aquele aperto na cabeça depois de, com um fio de
esperança, soltar muitas lágrimas em liberdade, como se isso libertasse também
de mim aquela dor. E levantava-me com a melancolia que as mágoas cravadas no
peito me concebiam nos últimos meses. Um desânimo... Não agradecia por acordar
um novo dia e via-o, de olhos cansados, como um sacrifício... Não me sentia
grata pelas linhas que o destino escrevia para mim e eu cobria de negro o meu
olhar...
Eram talvez as manhãs mais
dolorosas... Forçar-me a levantar a cabeça e não mostrar aos outros a dor que
trazia, mostrando um sorriso e uma boa disposição que eu própria usava para me
convencer que era realmente esse o meu estado de espírito... Todos reparavam
naquele meu tão bom humor matinal mas ninguém via o quão pouco real era. E eu
sentia que vencia a dor quando na realidade a dor me vencia a mim...
Mas também eu tentava acreditar
naquela realidade fictícia que eu criava para os outros, até o pano cair e
chegar com o fim do dia também o fim da peça... O auditório estava vazio e nem
eu me aplaudia a mim mesma. Ninguém merecia ter que ver algo tão sem qualidade
como as minhas tentativas falhadas de ser forte…
Mas eu no fim ainda levantava a
cabeça... esperando também o apagar das luzes.

muito obrigada querida!
ResponderEliminar"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios..."
ResponderEliminarPercebi bem a metáfora?
Eu percebo, acredita que percebo este texto.
Também já tive dessas manhãs e desses dias...