domingo, 28 de julho de 2013

autocarro

Era verão, mas o sol escondia-se por detrás de nuvens como num dia primaveril, ainda assim, quente. A brisa era fresca e eu permanecia imóvel naquele transporte repleto de pessoas que falavam ruidosamente. Saber que seguia rumo ao meu paraíso na Terra nada mudava o meu estado de espírito do momento.
Apenas me dava a certeza de que aquele meu vazio em breve poderia mudar. Mas eu sentia-me melancólica e desligada de mim, não pensava, não falava, não me mexia... Apenas observava a paisagem que me era possível contemplar através daquele vidro meio sujo por estranhos que já se teriam sentado anteriormente no meu lugar. Um mp4 e a minha típica música separavam-me daquele espaço colocando-me no meu mundo, no me refúgio da realidade. De vez em quando o sol saudava-me por entre as nuvens e confortava-me aquecendo-me a pele e, de algum modo, eu sentia-me melhor - ele sabia o que fazia. Mas nem todo o seu calor seria capaz de me aquecer a alma e o que é certo é que nem eu sabia o que o faria já que também não conhecia o porquê de me sentir assim.
O autocarro parou. Mais um estranho entrou e eu como uma estranha saí, sendo recebida pelo ar puro e limpo daquele meu paraíso.

3 comentários:

  1. Tu tens tanto jeito para a escrita.
    Lemos uma linha, e quando damos por nós já tamos no final e queremos sempre mais.

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  2. Adorei o texto, tu escreves tão bem :)

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