(anterior: Raul (4))
Desceu as escadas a correr, saindo de casa sem pensar. Algumas
pessoas começavam a juntar-se em volta do local do atropelamento e um senhor de
barbas e estatura média deitava as mãos à cabeça junto do carro enquanto
chamava uma ambulância. Maria caiu sobre os joelhos junto ao corpo do Raul, de
lágrimas nos olhos e com o coração acelerado. Uma enorme mancha de sangue
aumentava de tamanho junto do seu corpo e ele permanecia quase imóvel
Estava
coberto de feridas e ensanguentado e Maria vendo-o assim e sem saber o que
fazer, limitava-se a segurar a mão dele, sentindo uma pulsação fraca, e a
esperar pela chegada da ambulância. Sentia que os músculos se prendiam e estava
em choque. Sentia que a qualquer momento entraria em pânico enquanto olhava o
seu melhor amigo e também um irmão estendido no chão. Não pensava simplesmente.
À volta as pessoas falavam e comentavam o acontecimento e Maria continuava sem
se mexer, a esperar ver o brilho dos olhos do Raul ou um simples movimento.
Pelo
que relatavam, devido à fraca iluminação naquele exacto local, o condutor não
vira o Raul apanhando-o no meio da rua. Ele embatera contra o vidro e fora projectado
alguns metros com alguma violência.
O som
da ambulância anunciara a sua chegada ao local. Soltou a mão de Raul e
respondeu às perguntas que lhe foram feitas. A tia do Raul dissera que iria com
ele até ao hospital e que ligava para os pais no caminho. A Maria só queria
chorar. Sentia-se perder as forças vendo-o ir e o mundo parecia que ia desabar.
De súbito sentiu que uma mão pousara no seu ombro e, olhando sobre este, viu o
seu pai e sem sequer reflectir, lançou-se nos braços dele a chorar. "vai
correr tudo bem Maria... Foi só um susto..." dizia enquanto lhe passava a
mão nos cabelos. Pela mão e devagar, levou-a de novo para casa deixando para
trás a multidão e a mancha de sangue no chão. Maria só desejava ter ficado mais
tempo ali com ele, a ver as estrelas. O quanto aquela noite lhe parecia bela e
quente e agora lhe parecia negra e fria…
Hora e
meia mais tarde os pais de Raul ligaram-lhe. Maria não conseguia acreditar no
que ouvia. Entre um conter de choro e soluços, o pai de Raul explicara-lhe a
situação: ele teve um politraumatismo devido ao embate contra o carro e alguns
ferimentos graves. Perdera sangue demais. Tentaram reanimá-lo mas a tentativa
não teve sucesso. Raul estava morto.
estou a adorar (:
ResponderEliminarQue triste. Mas e ai? O conto vai ter um desfecho espiritual? rs
ResponderEliminarr: Obrigada pelo apoio! *
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