sábado, 13 de julho de 2013

Raul (5)

(anterior: Raul (4))
Desceu as escadas a correr, saindo de casa sem pensar. Algumas pessoas começavam a juntar-se em volta do local do atropelamento e um senhor de barbas e estatura média deitava as mãos à cabeça junto do carro enquanto chamava uma ambulância. Maria caiu sobre os joelhos junto ao corpo do Raul, de lágrimas nos olhos e com o coração acelerado. Uma enorme mancha de sangue aumentava de tamanho junto do seu corpo e ele permanecia quase imóvel

Estava coberto de feridas e ensanguentado e Maria vendo-o assim e sem saber o que fazer, limitava-se a segurar a mão dele, sentindo uma pulsação fraca, e a esperar pela chegada da ambulância. Sentia que os músculos se prendiam e estava em choque. Sentia que a qualquer momento entraria em pânico enquanto olhava o seu melhor amigo e também um irmão estendido no chão. Não pensava simplesmente. À volta as pessoas falavam e comentavam o acontecimento e Maria continuava sem se mexer, a esperar ver o brilho dos olhos do Raul ou um simples movimento.
Pelo que relatavam, devido à fraca iluminação naquele exacto local, o condutor não vira o Raul apanhando-o no meio da rua. Ele embatera contra o vidro e fora projectado alguns metros com alguma violência.
O som da ambulância anunciara a sua chegada ao local. Soltou a mão de Raul e respondeu às perguntas que lhe foram feitas. A tia do Raul dissera que iria com ele até ao hospital e que ligava para os pais no caminho. A Maria só queria chorar. Sentia-se perder as forças vendo-o ir e o mundo parecia que ia desabar. De súbito sentiu que uma mão pousara no seu ombro e, olhando sobre este, viu o seu pai e sem sequer reflectir, lançou-se nos braços dele a chorar. "vai correr tudo bem Maria... Foi só um susto..." dizia enquanto lhe passava a mão nos cabelos. Pela mão e devagar, levou-a de novo para casa deixando para trás a multidão e a mancha de sangue no chão. Maria só desejava ter ficado mais tempo ali com ele, a ver as estrelas. O quanto aquela noite lhe parecia bela e quente e agora lhe parecia negra e fria…
             Hora e meia mais tarde os pais de Raul ligaram-lhe. Maria não conseguia acreditar no que ouvia. Entre um conter de choro e soluços, o pai de Raul explicara-lhe a situação: ele teve um politraumatismo devido ao embate contra o carro e alguns ferimentos graves. Perdera sangue demais. Tentaram reanimá-lo mas a tentativa não teve sucesso. Raul estava morto.

3 comentários:

  1. Que triste. Mas e ai? O conto vai ter um desfecho espiritual? rs

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  2. r: Obrigada pelo apoio! *

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