Duas
semanas se tinham passado desde a perda do Raul. Estudar tinha sido a maneira
de Maria tentar esquecer a falta que ele lhe fazia mas, depois de os tão
esperados exames passarem, a farsa de que estava a conseguir superar a sua
morte caíra por completo. Fechava-se no quarto a ouvir música ou simplesmente
se deitava na cama, com tudo às escuras, durante horas. Uma ou outra vez
tentava distrair-se mas nada parecia fazê-la esquecer ou melhorar a situação. E
deste modo, vários dias se passaram.
Acordara
sobressaltada naquela manhã: sonhara de novo com o atropelamento de Raul. Tinha
a sensação de que estava a sonhar. Num impulso ligou para o telemóvel de Raul:
a mesma mensagem da operadora – afinal era tudo real. Maria sentia cada vez
mais a falta dele na sua vida.
Preparou-se
para sair, foi à cozinha e, pegando apenas numa maçã saiu:
-Onde vais filha? – Perguntou-lhe
ainda o pai.
-Encontrar o Raul! Até logo
pai!
E
antes que ele pudesse responder ou refletir sobre o assunto, saiu sorrindo. Não
fazia ideia do que estava a fazer mas sentia que era o certo. Chegou por fim ao
ginásio do tio de Raul. Entrou, procurou-o e pediu-lhe que a deixasse usar o
espaço destinado a aulas de aeróbica para dançar.
-Estás à vontade querida. Mas
daqui a duas horas há lá uma aula.
-Muito obrigada!
Quando
pôs os pés de novo naquele espaço dezenas de memórias renasceram do
esquecimento. Tardes e tardes passadas entre aquelas quatro paredes, conversas,
gargalhadas. Sentiu as pernas fraquejar e caiu no chão a chorar. Não era justo,
ele era novo demais para aquilo lhe acontecer.
Sentiu
uma mão pousar no ombro e levantou a cabeça olhando o espelho na parede. Num
impulso virou a cabeça: não estava lá ninguém, no entanto, vira Raul no reflexo
do espelho. Limpou as lágrimas, respirou fundo e levantou-se.
Há
muito que não dançava, fazia quase um ano que dançara a última vez, naquele mesmo
espaço, com a companhia do Raul. Agora estava apenas ela na companhia de quatro
paredes de espelhos. Pôs música e sentiu os pés presos ao chão. Aos poucos
tentou e, ao fim de alguns minutos, dançava como outrora. Ao olhar despropositadamente
para o local onde o Raul se costumava sentar, lembrou de quando lhe dissera que
"a contemporânea era a praia dela". Antes que as lágrimas voltassem
esqueceu e continuou mas, enquanto dançava, continuaram a vir-lhe à memória
frases que Raul lhe tinha dito, que ela ainda era capaz de ouvir com
aquela voz grave. "Ficava aqui eternidades a ver-te", "Nunca
imaginei que dançasses assim". As lágrimas atropelavam-se mas ela dançava
sem cessar. Sentia-o com ela e isso fazia-lhe bem. "És a melhor amiga do
universo!" Maria caiu e lavada em lágrimas, no chão, tornou a recordar
aquela noite de Lua Nova. Levantou-se - não queria mais estar ali. Limpou as
lágrimas tentando compor-se, pôs um sorriso na cara e saiu:
-Ia agora mesmo chamar-te, a
aula começa daqui a fez minutos. - Disse-lhe o tio de Raul.
-Estive tanto tempo lá dentro?
Nem me apercebi...
-Sabes que quando se faz o que
se gosta o tempo passa a voar. Sempre que quiseres, estás à vontade para vir
para aqui.
-Agradeço-lhe imenso.
-Ora essa… És amiga do meu
sobrinho desde pequena, não precisas de agradecer…- Despediu-se dela - Até uma
próxima.

Adorei!!!!
ResponderEliminarR: de nada
ResponderEliminarr: Claro, sem dúvida alguma! Adoro a blogosfera!
ResponderEliminaroh princesinha, muito obrigada pelo teu sempre fiel apoio! gosto muito de sentir que estás comigo e que gostas do que eu escrevo. por aqui a tua história também vai muito boa, e eu estou a gostar muito, a tua escrita é muito envolvente! beijinhos
ResponderEliminareu gostei (:
ResponderEliminarEstou gostando bastante, uma história agíl que me prende, não é massante rs.
ResponderEliminaradoreeeeeei, segui :)
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