sábado, 13 de julho de 2013

Raul (6)

(anterior: Raul (5))
Na semana seguinte…
Duas semanas se tinham passado desde a perda do Raul. Estudar tinha sido a maneira de Maria tentar esquecer a falta que ele lhe fazia mas, depois de os tão esperados exames passarem, a farsa de que estava a conseguir superar a sua morte caíra por completo. Fechava-se no quarto a ouvir música ou simplesmente se deitava na cama, com tudo às escuras, durante horas. Uma ou outra vez tentava distrair-se mas nada parecia fazê-la esquecer ou melhorar a situação. E deste modo, vários dias se passaram.

Acordara sobressaltada naquela manhã: sonhara de novo com o atropelamento de Raul. Tinha a sensação de que estava a sonhar. Num impulso ligou para o telemóvel de Raul: a mesma mensagem da operadora – afinal era tudo real. Maria sentia cada vez mais a falta dele na sua vida.
Preparou-se para sair, foi à cozinha e, pegando apenas numa maçã saiu:
-Onde vais filha? – Perguntou-lhe ainda o pai.
-Encontrar o Raul! Até logo pai!
E antes que ele pudesse responder ou refletir sobre o assunto, saiu sorrindo. Não fazia ideia do que estava a fazer mas sentia que era o certo. Chegou por fim ao ginásio do tio de Raul. Entrou, procurou-o e pediu-lhe que a deixasse usar o espaço destinado a aulas de aeróbica para dançar.
-Estás à vontade querida. Mas daqui a duas horas há lá uma aula.
-Muito obrigada!
Quando pôs os pés de novo naquele espaço dezenas de memórias renasceram do esquecimento. Tardes e tardes passadas entre aquelas quatro paredes, conversas, gargalhadas. Sentiu as pernas fraquejar e caiu no chão a chorar. Não era justo, ele era novo demais para aquilo lhe acontecer.
Sentiu uma mão pousar no ombro e levantou a cabeça olhando o espelho na parede. Num impulso virou a cabeça: não estava lá ninguém, no entanto, vira Raul no reflexo do espelho. Limpou as lágrimas, respirou fundo e levantou-se.
Há muito que não dançava, fazia quase um ano que dançara a última vez, naquele mesmo espaço, com a companhia do Raul. Agora estava apenas ela na companhia de quatro paredes de espelhos. Pôs música e sentiu os pés presos ao chão. Aos poucos tentou e, ao fim de alguns minutos, dançava como outrora. Ao olhar despropositadamente para o local onde o Raul se costumava sentar, lembrou de quando lhe dissera que "a contemporânea era a praia dela". Antes que as lágrimas voltassem esqueceu e continuou mas, enquanto dançava, continuaram a vir-lhe à memória frases que Raul lhe tinha dito, que ela ainda era capaz de ouvir com aquela voz grave. "Ficava aqui eternidades a ver-te", "Nunca imaginei que dançasses assim". As lágrimas atropelavam-se mas ela dançava sem cessar. Sentia-o com ela e isso fazia-lhe bem. "És a melhor amiga do universo!" Maria caiu e lavada em lágrimas, no chão, tornou a recordar aquela noite de Lua Nova. Levantou-se - não queria mais estar ali. Limpou as lágrimas tentando compor-se, pôs um sorriso na cara e saiu:
-Ia agora mesmo chamar-te, a aula começa daqui a fez minutos. - Disse-lhe o tio de Raul.
-Estive tanto tempo lá dentro? Nem me apercebi...
-Sabes que quando se faz o que se gosta o tempo passa a voar. Sempre que quiseres, estás à vontade para vir para aqui.
-Agradeço-lhe imenso.
-Ora essa… És amiga do meu sobrinho desde pequena, não precisas de agradecer…- Despediu-se dela - Até uma próxima.
-Adeus, até uma próxima...

7 comentários:

  1. r: Claro, sem dúvida alguma! Adoro a blogosfera!

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  2. oh princesinha, muito obrigada pelo teu sempre fiel apoio! gosto muito de sentir que estás comigo e que gostas do que eu escrevo. por aqui a tua história também vai muito boa, e eu estou a gostar muito, a tua escrita é muito envolvente! beijinhos

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  3. Estou gostando bastante, uma história agíl que me prende, não é massante rs.

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