(anterior: Raul (6))
-Filha! Estava tão preocupada!
Assustaste-me a mim e ao teu pai. Onde foste? – Perguntou-lhe a mãe mal ela
entrou em casa.
-Ao ginásio do tio Raul. Fui
dançar um bocado, só isso. Está tudo bem.
-Está mesmo?
-Está. Vou subir para o
quarto.
Ao
chegar ao quarto começou a sentir uma estranha dor nas costas e nos ossos como
se estivesse estado sentada muito tempo. Deixou-se cair na cama e tentou
esquecer tanto o Raul como a dor, ainda que o Raul fosse muito mais difícil de
esquecer. Tinha saudades dele.
Depois
de almoço decidiu-se a voltar ao lago para onde ia com Raul muitas vezes. Não
sabia porquê, mas sentia necessidade de reviver essas memórias. Sabia apenas
que o sentia presente e que isso a deixava melhor. Desta vez, ao sair de casa,
explicou aos pais onde ia. Preocupava-os aquela súbita tentativa de relembrar o
Raul por parte da filha mas deixava-os felizes que pelo menos ela já tivesse
largado a clausura no quarto.
Quando
chegou ao parque sentiu o mesmo que ao chegar ao ginásio naquela manhã:
memórias e mais memórias surgiam de cada recanto daquele local. Conteve as
lágrimas e seguiu até ao sítio junto ao lago onde se costumava sentar na companhia
de Raul. Iam àquele jardim desde pequenos e muitas vezes brincaram e riram
juntos ali mas, agora, não passavam de lembranças que lhe traziam saudade. Uma
lágrima rolou sobre a sua face e Maria limpou-a antes que outras mais se
aventurassem a imitar aquela atrevida. Fechou os olhos, sentada de pernas
cruzadas, e deixou a sua mente esvaziar. Aquela brisa quente de verão
confortava-a e ela sentia que o Raul também ali estava com ela. A dor voltou e tentando
evitá-la ou diminui-la, deitou-se naquela sombra tentando pela segunda vez
esvaziar a mente.
Ouvia
crianças a rir, folhas a abanar com a brisa, patos no lago e até o chilrear de
passarinhos, mas todos esses sons pareciam-lhe distantes. Muito distantes.
"Um dia quando for velho e reformado venho para aqui pensar na vida. Este
sítio é tão pacífico…" Raul tinha razão, mais uma vez. Aquele sítio era
óptimo para pensar na vida e, no caso de Maria, recordar o passado que, ao
fazê-lo, se sentia muito mais velha e sem tanta vida como dantes tinha.
Ao
fundo, do outro lado do lago, viu duas crianças brincar atirando água uma para
a outra e reviu-se nelas com o Raul. Tinha perdido a conta das vezes em que ele
a atirava para dentro de água ou vice-versa e ficavam horas, como duas
crianças, a brincar um com o outro. Sorriu mas desta vez não sentiu vontade de
chorar. "Que nostalgia..." pensava.
Entardecera
e o sol já quase se punha quando Maria deixou por fim o parque. Uma sensação de
paz apoderara-se do seu coração e, depois daquela tarde, sentia-se melhor.
Ainda que sentisse saudades dele, lembrar-se dele e recordar-se do passado
deixava-a confortada.
No
curto espaço de tempo que levara a tomar o caminho para casa, escureceu e
anoiteceu. Começara a ficar frio. Passou em frente à casa de Raul cuja luz do quarto
estava acesa. Foi capaz de ver o vulto da mãe dele surgir junto à janela para a
fechar. Os seus olhares cruzaram-se e Maria esboçou um sorriso que ela devolveu
com o olhar cansado e, assim como surgira, desaparecera de novo.
Maria
retomou o caminho – o estômago rangia e sentia-se a perder forças. Começava a
sentir-se atordoada e a cada passo que dava parecia que a qualquer momento ia
cair. A visão começou a ficar turva e já nem ela sabia bem controlar os
próprios membros, acabou por perder os sentidos e desmaiar.
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Acompanhando a história rs. Espero que o final surpreenda rs
ResponderEliminarestou melhor já :)
ResponderEliminarAntes demais obrigada pela força e pelas palavras querida *
ResponderEliminarEstive agora a ler a tua história e fiquei presa a ela, escreves muito bem, foi impossível controlar as lágrimas, parecia tudo real, a forma como escreves faz-me visualizar tudo o que aconteceu como se estivesse a viver a história, fico à espera da continuação. ((:
Ps. Estou a seguir o teu blog, gostei mesmo muito *
esta marmotinha escreve mesmo bien (:
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