quarta-feira, 3 de julho de 2013

Raul

Ela fechou os olhos tentando apagar da sua mente a mancha viva de sangue que envolvia o seu irmão naquela noite... Tentou abstrair-se com outros pensamentos mas quanto mais queria não pensar na sua perda, mais as imagens que a sua mente gravara com dor a assombravam, sem a deixar esquecer... "Não é justo..." pensava, "porquê ele e não outra pessoa qualquer? Porque não eu no seu lugar?"
A ligação que tinha com o Raul era, além de dois irmãos realmente chegados, uma forte amizade de duas pessoas que dariam talvez a vida uma pela outra... Ela considerava-o um ‘irmão de sangue’, expressão que sempre que lhe surgira na mente nos últimos dias, a levava a relembrar o decorrido na semana anterior. Ainda não conseguira superar e sentia-se incapaz de o fazer tão cedo. Muitas vezes ficava largos minutos a relembrar memórias do passado, olhando o passe-partout com a sua foto de quando eram mais novos. Outras, ligava para o seu telemóvel com a esperança de que aquilo fosse apenas um pesadelo e que Raul, com a sua grave e profunda voz, a atendesse do outro lado mas, ao contrário do que desejava, tudo o que ouvia era a voz feminina da operadora dizendo que aquele número de telefone não se encontrava activo.
Tal como nas outras noites, entre o cansaço e o forte aperto que sentia na cabeça depois de muitas lágrimas chorar, adormeceu agarrada à almofada numa tentativa de busca de algum conforto.
O espaço que Raul ocupava no seu coração ia estar sempre preenchido pela sua memória e só a sua lembrança era capaz de apaziguar a dor da sua perda.


3 comentários:

  1. muito obrigada pelos teus elogios, princesinha! eu também vou estar atenta aqui ao teu cantinho, e vou ler-te sempre que puder :) beijinhos

    ResponderEliminar
  2. Gostei do teu cantinho, já sigo ;)

    ResponderEliminar
  3. Bem, li a 1 parte, vou partir para a 2 rs

    http://pequenomatuto.blogspot.com.br/

    ResponderEliminar

deixa a tua opinião :))