Ela fechou os olhos tentando
apagar da sua mente a mancha viva de sangue que envolvia o seu irmão naquela
noite... Tentou abstrair-se com outros pensamentos mas quanto mais queria não
pensar na sua perda, mais as imagens que a sua mente gravara com dor a
assombravam, sem a deixar esquecer... "Não é justo..." pensava,
"porquê ele e não outra pessoa qualquer? Porque não eu no seu lugar?"
A ligação que tinha com o Raul
era, além de dois irmãos realmente chegados, uma forte amizade de duas pessoas
que dariam talvez a vida uma pela outra... Ela considerava-o um ‘irmão de sangue’, expressão que sempre
que lhe surgira na mente nos últimos dias, a levava a relembrar o decorrido na
semana anterior. Ainda não conseguira superar e sentia-se incapaz de o fazer
tão cedo. Muitas vezes ficava largos minutos a relembrar memórias do passado,
olhando o passe-partout com a sua foto de quando eram mais novos. Outras, ligava
para o seu telemóvel com a esperança de que aquilo fosse apenas um pesadelo e
que Raul, com a sua grave e profunda voz, a atendesse do outro lado mas, ao
contrário do que desejava, tudo o que ouvia era a voz feminina da operadora
dizendo que aquele número de telefone não se encontrava activo.
Tal como nas outras noites, entre
o cansaço e o forte aperto que sentia na cabeça depois de muitas lágrimas
chorar, adormeceu agarrada à almofada numa tentativa de busca de algum
conforto.
O espaço que Raul ocupava no seu
coração ia estar sempre preenchido pela sua memória e só a sua lembrança era
capaz de apaziguar a dor da sua perda.

muito obrigada pelos teus elogios, princesinha! eu também vou estar atenta aqui ao teu cantinho, e vou ler-te sempre que puder :) beijinhos
ResponderEliminarGostei do teu cantinho, já sigo ;)
ResponderEliminarBem, li a 1 parte, vou partir para a 2 rs
ResponderEliminarhttp://pequenomatuto.blogspot.com.br/