quinta-feira, 18 de julho de 2013

um passo rumo ao abismo

Dei um passo rumo ao abismo e o chão estremeceu. O meu corpo fragmentou-se em pedaços que o vento levou para longe como leves grãos de areia e tudo em mim se tornou numa existência sem enigmas: apenas uma alma perdida. O mundo tornou-se num deserto inóspito de pó e areia e a luz do sol num tom vermelho vivo - o meu inferno na terra. O tempo parou.


Percorri sem destino e de pés descalços aquele lugar sem vida em busca do resto de mim que aquela brisa fugaz levou mas, quanto mais andava e procurava esse resto meu, a realidade na qual eu não aceitava acreditar tornou-se demasiado evidente e o fio de esperança que eu ainda trazia no olhar quase se perdia: sou feita da mesma matéria que todos os homens, sou feita da mesma matéria que o mal e que o bem o que me torna igual nesta minha misera vivência.
As lágrimas brotaram dos meus olhos como que em consolo meu, e aos poucos a minha alma começou a desmanchar-se num clarão desaparecendo gradualmente, mas não havia para mim maior dor que sentir-me mais uma criatura neste mundo.
Acordei. Um pesadelo... Tudo fora um pesadelo e nada nele era real. Ou talvez fosse... Refleti por segundos adaptando-me à realidade.
Respirei fundo, fechei os olhos e aconchegando-me nos lençóis, voltei a dormir.

De uma coisa eu tinha certeza - a minha alma é que guia o meu corpo e quem escolhe entre o bem e o mal sou eu... A origem é a mesma mas são as minhas atitudes que me tornam diferente e não “mais um ser na Terra”.

16 comentários:

  1. Eu sei que sim, muito obrigada.
    Força para ti também! :)

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  2. linda é a tua escrita. amei e segui-te :)

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  3. oh, muito obrigada, fico mesmo feliz por teres gostado!
    sigo de volta :)

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  4. escreves muito bem. força querid
    sigo de volta :)

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  5. R: Já somos duas a achar o mesmo

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  6. escreves estupendamente, parbéns!

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  7. muito obrigada e o mesmo digo do teu post (:

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  8. gostei bastante da forma como vais soltando as palavras, tais migalhas que devemos ir colhendo até ao horizonte que nos pretendes revelar - tal esperança respirada no último parágrafo.

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  9. Gostei muito, identifiquei-me tanto com esta parte: "a realidade na qual eu não aceitava acreditar tornou-se demasiado evidente e o fio de esperança que eu ainda trazia no olhar quase se perdia" (:

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  10. a verdade é que sou uma masoquista pura.

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