domingo, 25 de agosto de 2013

Raul (9)

anterior: Raul (8))
Quando deu por si, já estava no ginásio mas não se lembrava nem de vir embora do parque do lago, ou de ir para casa e ainda menos de ali chegar. Apenas ali estava, já de roupa trocada e a colocar o CD no leitor. “Que estranho…” pensou. Considerou que teria sido só uma sensação do momento, esqueceu, pôs a música e abstraiu-se do mundo.

As horas passaram e Maria perdeu-se entre passos e passos e, só quando se sentiu realmente exausta, se deixou descansar no canto da sala. A contínua dor de costas começava a incomodar. Aquele lugar realmente trazia-lhe muitas recordações mas desta vez sorriu e, fechando os olhos, imaginou ouvir a voz do Raul soar na sala. “Prometo que volto mais vezes.” Disse baixinho como se ele a pudesse ouvir, tentando responder às palavras que ela não chegou a ouvir. Abriu os olhos e viu Raul, no espelho. O coração acelerou e o seu bater intensificou. Voltou a fechar os olhos e abraçou-se aos joelhos – não queria tornar a olhar.
Alguns segundos se passaram e Maria levantou lentamente a cabeça, era capaz de sentir o sangue correr nas pontas dos dedos e quase ouvia o intenso bater do seu coração: nada. Estava sozinha na sala. “Tens de parar com isso!” Ripostou com o espelho.
Pegou na garrafa de água, retirou o CD do leitor e saiu da sala dirigindo-se ao balneário. Depois de um banho e de mudar de roupa, agradeceu ao tio do Raul e saiu. Sentia-se bem e, aquele início de tarde tinha-lhe feito realmente bem. O telemóvel começou a vibrar no bolso:
 -Estou? – Atendeu a chamada.
-Então filha? Onde estás? – Perguntou-lhe o pai, do outro lado da linha.
-Saí há pouco do ginásio do tio do Raul.

-Está bem então. Vais para casa? -Sim.

-Estou no banco ainda, se quiseres boleia podes vir aqui ter e vamos os dois.
-Deixa estar, obrigada, vou a pé e apanho ar… Também só sais daqui a uma hora…

-Se assim preferes… Caso mudes de ideias liga! Beijinhos então.
-Beijinhos.

            Desligou e guardou o telemóvel no bolso novamente mas, ao mesmo tempo que o fez, o saco de desporto caiu do ombro, Maria tropeçou na asa dele e rebolou no chão. Soltou um pequeno gemido – agora sim, doíam-lhe mesmo as costas. Sacudiu-se enquanto se levantava e passou agilmente as mãos uma na outra, tentando limpá-las. Olhou para traz para o saco no chão. “Só a mim…” pensou. Voltou a pegar nele pela asa e desta vez traçou-o e ao levantar a cabeça, reparou onde se encontrava: mesmo em frente à casa do Raul. “A sério?!” disse olhando para a casa. Seguiu pela rua e, depois de apenas alguns passos parou e voltou a olhar para a casa. Recuou até à porta e, sem saber realmente o que fazia, bateu à porta: completo silêncio. Voltou a bater: nada. Estava a voltar-se para a rua de novo quando a porta atrás de si se abriu mas, por detrás desta, nenhum vulto surgiu.

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(disponível a 01-09-2013)

9 comentários:

  1. R: Obrigado pela partilha! Se não participares não tem problema nenhum! Faz o que achares melhor :)

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  2. eu vou continuar sempre por perto, basta ele deixar.

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  3. r: (wow, o meu post de hoje está a ser o concorda-discorda xD)
    é exatamente isso tudo que disseste que eu acho! óbvio que se lermos muito testemunhos, começamos a sentir um pouco a dor dos outros, mas não há nada como senti-la. :/
    eu também tento sempre sentir-me bem comigo mas quando me olho ao espelho, vêm todos aqueles comentários e... :( eu finjo sempre que não me importo e até entro na brincadeira, mas dói e muito! obrigadaaa <3
    exato! a minha família também não concorda muito que eu vá por causa disso. eles dizem que até posso passar do pré-casting mas duvidam mais do que isso porque já está tudo feito :s
    e tu queres continuar cá em portugal? :)

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  4. r: mas pelo menos as outras pessoas pensam que não te importas tanto. há pessoas que criticam só mesmo por maldade e se pensarem que não te afetas, deixam-se disso :) e tu também sabes! :)
    não conheço esse estilo de música :o eu acho que deves fazer aquilo que queres e não aquilo que é melhor porque assim não te sentes tão realizada. :)
    eu... bem... é a coisa que eu mais quero na vida mas, apesar de sempre ter dito que quero ficar em portugal, não sei se é bem assim. se as coisas são para acontecerem, que aconteçam nas máximas proporções que queremos e aqui em portugal não acontece isso. ainda não sei o estilo de música. se tiver de ir para a américa...

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  5. é verdade, precisamos de nos afastar

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  6. Mais uma vez gostei muito (:

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