-Porque é que eu estou aqui? - Perguntou ela.
-Eu só sei que estava a vir para casa e estavas tu aqui. A
Sra. Ana disse que tropeçaste e caíste e desde então não acordavas e não
paravas de falar. A pobre mulher não sabia o que fazer porque a esta hora os
vizinhos estão todos a trabalhar e ela não tinha força para pegar em ti e
levar-te para casa. Entretanto eu cheguei e tu agora acordas-te. Como te
sentes? Era preferível teres ido ter comigo ao banco…
-Confusa… Achava que tinha ido à casa do Raul mas se caí
aqui, devo ter sonhado tudo…
-Casa do Raul? Oh filha… Andas a assustar-me com esses sonhos
e essas contínuas lembranças e coisas relacionadas com o Raul. Eu sei que é
difícil mas porque não tentas espairecer, sair com a Nádia ou a Catarina… Vá
lá, tu tinhas e tens mais amigos!
-Nenhum que me apoiasse como o Raul…
-Filha… Por favor.
-Eu estou a superar isto, ok? Só preciso de tempo… Por favor,
pensava que percebias…
-E percebo… Não insisto, só custa… Mas se precisares de falar
também me tens a mim!
-Eu sei pai… E eu adoro-te. – Maria abraçou-se a ele.
-Não tanto quanto eu formiga! – Ele sorriu.
-A sério que me foste chamar isso? Já tenho quase o teu
tamanho, ai… – Disse retribuindo o sorriso. Quando era pequena o pai tinha o
hábito de lho chamar porque sempre fora muito pequena.
-Vais sê-lo sempre! E agora vamos para dentro tomar qualquer
coisa sim? – O pai ajudou-a a levantar-se.
-Sim.
Ele pegou no
saco dela e dirigiram-se para dentro. Lancharam e, depois disso, ela subiu para
o quarto e pôs música bem alto para não ouvir os próprios pensamentos que não
se afastavam do mesmo tema: Raul. Não parava quieta. Ora se sentava na
secretária e ia ao computador, ora se deitava na cama a olhar para o teto e
tentava esquecer tudo. Fizesse o que fizesse, não conseguia parar de pensar nas
cartas e na suposta visita à casa do Raul.
Por baixo da cama ela escondia um caderno
do qual ninguém sabia, onde escrevia. Era como um diário mas nunca fora
utilizado por ela com esse objectivo pois apenas escrevia para desabafar.
Coisas que nem ao Raul conseguia contar e, naquele caso, mesmo que quisesse,
não podia. Levantou o pedaço de madeira do taco e tirou o caderno de capa verde
aveludado de lá e assim se perdeu nas horas até o pai a vir chamar para jantar.
“Está a anoitecer e o céu fica cada vez mais escuro. Parece que
tenta competir comigo mas ele nunca conseguirá ficar tão negro como o meu
coração ou tão sombrio como o meu olhar. Eras a minha luz e agora, sem ti, sinto-me
perdida... sem rumo...
Não há fogo que me ilumine o caminho – esse,
apenas me encandeia e me faz sentir o corpo mais gélido. Faltam-me os teus
braços para me abraçar... Só queria voltar atrás e dizer-te o que nunca disse,
voltar atrás e impedir-te de ir embora naquela noite. Só queria mudar o passado
porque sem ti no meu presente, não vejo felicidade num futuro possível.”

gostei (:
ResponderEliminarr: somos mais nós irracionais que os próprios animais :/
ResponderEliminartotó xD olha que eu quero mesmo conhecer-te, ahm? :D
Estou a adorar a história.
ResponderEliminarMuitos parabéns !
Fico a espera das próximas partes ! Segui e seguirei (:
Beijo*