segunda-feira, 15 de julho de 2013

regresso

Abracei-te com força e pedi-te que não fosses embora e tu sorrindo disseste que se estivesse ao teu alcance, não te ias embora nunca e ficarias sempre comigo. Mas disseste bem, se estivesse ao teu alcance... E não estava, ambos tínhamos consciência disso, apenas não aceitávamos e evitávamos contestar essa realidade.

domingo, 14 de julho de 2013

Raul (7)

(anterior: Raul (6))
Saiu do ginásio e voltou para casa.
-Filha! Estava tão preocupada! Assustaste-me a mim e ao teu pai. Onde foste? – Perguntou-lhe a mãe mal ela entrou em casa.
-Ao ginásio do tio Raul. Fui dançar um bocado, só isso. Está tudo bem.
-Está mesmo?
-Está. Vou subir para o quarto.
Ao chegar ao quarto começou a sentir uma estranha dor nas costas e nos ossos como se estivesse estado sentada muito tempo. Deixou-se cair na cama e tentou esquecer tanto o Raul como a dor, ainda que o Raul fosse muito mais difícil de esquecer. Tinha saudades dele.

sábado, 13 de julho de 2013

Raul (6)

(anterior: Raul (5))
Na semana seguinte…
Duas semanas se tinham passado desde a perda do Raul. Estudar tinha sido a maneira de Maria tentar esquecer a falta que ele lhe fazia mas, depois de os tão esperados exames passarem, a farsa de que estava a conseguir superar a sua morte caíra por completo. Fechava-se no quarto a ouvir música ou simplesmente se deitava na cama, com tudo às escuras, durante horas. Uma ou outra vez tentava distrair-se mas nada parecia fazê-la esquecer ou melhorar a situação. E deste modo, vários dias se passaram.

Raul (5)

(anterior: Raul (4))
Desceu as escadas a correr, saindo de casa sem pensar. Algumas pessoas começavam a juntar-se em volta do local do atropelamento e um senhor de barbas e estatura média deitava as mãos à cabeça junto do carro enquanto chamava uma ambulância. Maria caiu sobre os joelhos junto ao corpo do Raul, de lágrimas nos olhos e com o coração acelerado. Uma enorme mancha de sangue aumentava de tamanho junto do seu corpo e ele permanecia quase imóvel

Estava coberto de feridas e ensanguentado e Maria vendo-o assim e sem saber o que fazer, limitava-se a segurar a mão dele, sentindo uma pulsação fraca, e a esperar pela chegada da ambulância. Sentia que os músculos se prendiam e estava em choque. Sentia que a qualquer momento entraria em pânico enquanto olhava o seu melhor amigo e também um irmão estendido no chão. Não pensava simplesmente. À volta as pessoas falavam e comentavam o acontecimento e Maria continuava sem se mexer, a esperar ver o brilho dos olhos do Raul ou um simples movimento.
Pelo que relatavam, devido à fraca iluminação naquele exacto local, o condutor não vira o Raul apanhando-o no meio da rua. Ele embatera contra o vidro e fora projectado alguns metros com alguma violência.
O som da ambulância anunciara a sua chegada ao local. Soltou a mão de Raul e respondeu às perguntas que lhe foram feitas. A tia do Raul dissera que iria com ele até ao hospital e que ligava para os pais no caminho. A Maria só queria chorar. Sentia-se perder as forças vendo-o ir e o mundo parecia que ia desabar. De súbito sentiu que uma mão pousara no seu ombro e, olhando sobre este, viu o seu pai e sem sequer reflectir, lançou-se nos braços dele a chorar. "vai correr tudo bem Maria... Foi só um susto..." dizia enquanto lhe passava a mão nos cabelos. Pela mão e devagar, levou-a de novo para casa deixando para trás a multidão e a mancha de sangue no chão. Maria só desejava ter ficado mais tempo ali com ele, a ver as estrelas. O quanto aquela noite lhe parecia bela e quente e agora lhe parecia negra e fria…
             Hora e meia mais tarde os pais de Raul ligaram-lhe. Maria não conseguia acreditar no que ouvia. Entre um conter de choro e soluços, o pai de Raul explicara-lhe a situação: ele teve um politraumatismo devido ao embate contra o carro e alguns ferimentos graves. Perdera sangue demais. Tentaram reanimá-lo mas a tentativa não teve sucesso. Raul estava morto.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Raul (4)

(anterior: Raul (3))
            Avisou o pai e saiu. Sentaram-se na beira da escada que dava para a entrada da casa a olhar o céu. Estava uma noite quente, o que tornava ainda mais agradável estar ali com o Raul.
-Como é que vai o estudo?
-Andando… Se continuar assim sou bem capaz de subir as notas nos exames!
-Acho que andas a estudar demais sinceramente… Marrar não significa que vás tirar boa nota… Porque é que não fazes como eu? Estás atenta nas aulas na mesma mas estudas menos um pouco e descontrais. A mim estudar só me faz mal!

terça-feira, 9 de julho de 2013

Raul (3)

(anterior: Raul (2))
Aquela tarde lembrara a Maria o verão anterior. Passavam quase todas as tardes juntos e, em muitas delas, iam para o ginásio do tio dele e ela dançava. Raul ficava sempre sentado a vê-la sem a interromper. Devido a problemas financeiros ela deixou o grupo onde estava e, desde então, deixou de querer dançar. Outras vezes, iam para a academia de música e acontecia o contrário: Maria sentava-se em frente ao piano vertical onde ele tocava e ficava em silêncio a admirá-lo. A maneira como ele sentia o que tocava deixava-a maravilhada. E o mesmo acontecera naquela tarde:

Uma Carta

Querido (sim, simplesmente querido),

Como sempre me encontro aqui, sozinha. E, tal como em todas as outras noites, tu invades os meus pensamentos e tiras-me o sono, condicionando o meu descanso…
Tens um efeito inigualável em mim! Efeito esse que unicamente tu consegues ter…

Raul (2)


(anterior: Raul)

(Na semana anterior…)
-Maria! Despacha-te ou vais chegar atrasada às aulas! – Alarmou-a sua mãe.
-Já vai, calma.
-Eu tenho calma. Já o relógio não me parece que a tenha ou que espere por ti…
            Maria saiu disparada do quarto enquanto ainda vestia o casaco e com a mochila quase ao arrasto. Entre um “até logo” e um beijo na face da sua mãe, saiu a correr em direcção à escola. Deixar-se dormir até mais tarde tornara-se uma rotina já que nas últimas noites ficava largas horas depois de jantar a estudar pelo que, para compensar essa falta de descanso, dormir de manhã o máximo possível tornava-se inevitável. O seu objectivo era unicamente dar o seu melhor e subir ainda mais as notas para acabar com uma boa média.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

"para sempre juntos"

Dizias de sorriso aberto que iríamos ficar para sempre juntos e que, acordar ao meu lado e adormecer comigo nos teus braços, seria perfeito... E eu sorria sem a noção de que o fazia, só de imaginar o quão mais que perfeito isso seria mesmo.

as manhãs mais dolorosas...

      Eram talvez as manhãs que me custavam mais... Acordava com aquele aperto na cabeça depois de, com um fio de esperança, soltar muitas lágrimas em liberdade, como se isso libertasse também de mim aquela dor. E levantava-me com a melancolia que as mágoas cravadas no peito me concebiam nos últimos meses. Um desânimo... Não agradecia por acordar um novo dia e via-o, de olhos cansados, como um sacrifício... Não me sentia grata pelas linhas que o destino escrevia para mim e eu cobria de negro o meu olhar...

domingo, 7 de julho de 2013

"Bom dia"

         Abri os olhos lentamente acordando de um sonho que a luz das estrelas encenou e, ao fazê-lo, vi que não estavas ao meu lado como em sonhos te vi. Não eras tu quem me aquecia o corpo na noite fazendo do meu olhar um poço de lágrimas de bem-estar e felicidade. Não eras tu quem me abraçava quando os medos voltavam e não sabia para onde ir e, tudo o que eu tinha, era uma cama e lençóis...

Um Beijo.

     Pedi-te um beijo e tu, beijando-me os lábios, disseste-me que se um beijo queria, te beijasse e não pedisse, mas eu não tinha a ousadia de te roubar um beijo sem pedir. Talvez vergonha, ou até medo, já que os meus impulsos tendem a magoar-te no desespero do meu coração...

sem sono (nem inspiração)

Não consigo dormir... Não tenho sono nem vontade de dormir mas, ainda assim, sinto-me cansada... E tu, para não variar, não me sais da cabeça... Fecho os olhos e vejo o brilho dos teus, tento abstrair-me e oiço a tua voz sussurrar-me aos ouvidos que me amas e sorrio como se não tivesse consciência que é tudo fruto da minha imaginação...

sábado, 6 de julho de 2013

Podia pedir-te.

Podia pedir-te a lua e sei que dir-me-ias que te era impossível dar-ma mas que os teus braços estavam abertos para mim, como se soubesses que a lua era o meu paraíso longe do mundo e junto de ti.

Podia pedir-te o mar e sei que dir-me-ias que te era impossível fazê-lo mas que todo o teu amor era meu, como se adivinhasses que queria o sentimento profundo e verdadeiro, transparente e imenso como eu metaforicamente to pedia...

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sonhei que...

     Sonhei que me abraçavas os medos e me sussurravas ao ouvido palavras calmas na harmonia da tua voz. Sonhei que pintavas o meu mundo de cores alegres arrancando-me do negro em que me mantinha e que me vestias de branco a alma rasgando a mágoa que trazia no peito. Sonhei que me tecias o destino no qual eu não acreditava, desenhando um sorriso no meu rosto e a alegria no meu olhar.

freedom.

        Queria poder ser um pássaro e voar livremente sem que me prendessem as asas. Queria poder ter a liberdade de voar para onde o vento me guiasse e atingir a altura que o céu me permitisse (ou pelo menos a mais segura)... Queria saltar de folha em flor e cantar aos quatro ventos a felicidade que não sinto...

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Eu, outra vez...

            Olá! Sou eu outra vez… Desculpa se te vim incomodar!... Posso entrar? – No teu coração? Quero sair desta solidão…
            Tenho saudades tuas e da tua voz sabes? Desse sorriso idiota… Não sei o que fazes, mas não interessa! Toma nota: Eu Amo-te!

Humanidade.

Humanos… seres que se auto intitulam de racionais e
Unicos, segundo eles, com posse de uma alma…
Mas, são estes seres aparentemente racionais, que agem que nem
Animais uns com os outros e com atitudes em
Nada de ditos “intelectuais” destroem o seu próprio meio.
Irracionais sim! Penso que é o termo mais adequado
Dado tal comportamento, tal falta de pensamento.
Acham-se superiores estes, e com mais direito, mas
Deste jeito, que merecem eles mais?
Eles, animais, iguais aos outros.

(Maio, 2012)

- pelo menos ainda há excepções mas a verdade é que somos os nossos próprios inimigos...

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Raul

Ela fechou os olhos tentando apagar da sua mente a mancha viva de sangue que envolvia o seu irmão naquela noite... Tentou abstrair-se com outros pensamentos mas quanto mais queria não pensar na sua perda, mais as imagens que a sua mente gravara com dor a assombravam, sem a deixar esquecer... "Não é justo..." pensava, "porquê ele e não outra pessoa qualquer? Porque não eu no seu lugar?"

segunda-feira, 1 de julho de 2013

"lamechices" estúpidas e idiotas

Andei eternidades à deriva num mar de solidão, No meio de um nada, no meio de uma multidão…De nada valeu o tempo perdido, Resultou num vazio ainda maior! É triste ver a indiferença dos que estão ao nosso redor…