terça-feira, 27 de agosto de 2013

incerteza nublada


Fim de uma tarde de céu nublado. Nem parecia ser um dia pertencente àquele verão infernal que nos queimava os medos e nos fazia deixar evaporar as palavras quando os nossos olhares se prendiam um ao outro. E eu fingia não me importar com o que ele não dizia e levianamente deixava por dizer sem se importar, exactamente daquele jeito que eu tentava imitar. Mas tu sempre me fizeste esquecer... Tu sempre foste o meu refúgio da realidade e o cofre dos meus segredos...

domingo, 25 de agosto de 2013

Raul (9)

anterior: Raul (8))
Quando deu por si, já estava no ginásio mas não se lembrava nem de vir embora do parque do lago, ou de ir para casa e ainda menos de ali chegar. Apenas ali estava, já de roupa trocada e a colocar o CD no leitor. “Que estranho…” pensou. Considerou que teria sido só uma sensação do momento, esqueceu, pôs a música e abstraiu-se do mundo.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

visão doentia


Uma simples sala de estar, mas mórbida e marcada pelo passar do tempo. Uma visão doentia… A obra envelhecida pelo passar dos anos, cuja tinta lascava a olhos nus, ali se dava a conhecer, quase despindo o tecido que a suportara desde os primórdios da sua existência. Mas ninguém se importava. Enquanto a assinatura do pobre homem, que nunca em vivo viu um bom senhor valorizar a sua arte, se mantivesse ali visível, a desgraçada peça centenária apodreceria ali.

domingo, 18 de agosto de 2013

Raul (8)

(anterior: Raul (7)
Acordou de súbito no quarto. As costas doíam-lhe e sentia que lhe tinham prensado a cabeça. Não se lembrava de chegar a casa e a última recordação que tinha era de ver a mãe do Raul na janela. Mas, teria tudo aquilo sido um sonho? Aquela constante sensação de que estava a sonhar começava a irritá-la. Nada daquilo parecia real e deixava-a na ansiedade de receber a qualquer momento a notícia de que Raul estaria vivo e isso fazia-a sentir-se incapaz de seguir em frente superando o acontecimento.